Programação Desplugada – Robô

Projeto desenvolvido pelo Prof. Paulo Adriano Ferrari

Ste: https://www.aprendizagemcriativa.info/

Descrição

Programação desplugada em sala de aula

O projeto foi pensando em desafios que se relacionavam entre si: o primeiro consistia na construção, pelo grupo, de uma cabeça de robô, o segundo, em construir um circuito elétrico no interior da cabeça do robô para iluminá-lo com LEDs e, o terceiro, em conduzir um aluno-robô até o final de uma pista usando uma sequencia lógica de símbolos e códigos gráficos similares aos usados em softwares de autoria multimídia, como o Scratch ou de sites que abordam o ensino de lógica de programação como a Hora do Código. Venceria o desafio o grupo que chegasse primeiro ao final da trilha.

Desafio proposto, as crianças se dividiram em dois grandes grupos com cerca de 10 a 12 alunos cada. Com materias não estruturados (sucata) — alguns trazidos de casa pelas crianças —-outros cedidos pelo laboratório de informática, cada grupo iniciou seu projeto.

Primeiro desafio: como será nosso robô?

       O primeiro desafio foi adaptar uma caixa, grande o suficiente para que um aluno conseguisse introduzir a cabeça nela. Escolhida a caixa, as crianças partiram para a seleção dos materiais não estruturados que comporiam as partes da cabeça do robô: tampas de refrigerante e de amaciantes se transformaram em olhos e narizes, telas de plástico em bocas, canudinhos de refrigerante em antenas. Com o uso de cola quente e EVA as cabeças foram enfeitadas. Aqui, o debate se acalora: qual cor terá o robô? Quantas antenas? Onde ficarão os olhos? Como perfurar o EVA no local exato onde os olhos irão ficar? As diferentes ideias sobre como deve ser o objeto a ser construído, sua aparência e funcionalidade forçam as crianças a explicitarem seus argumentos e a articular seu pensamento: reflexão, pensamento abstrato, criatividade e estética são lançados na roda e, coletivamente, as escolhas são feitas.

​Foto: Paulo Ferrari

Segundo Desafio: dando vida ao robô.

             Com a parte estética finalizada, surge agora um desafio maior e mais complexo: como fazer com que luzes iluminem os olhos e nariz de nosso robô? Aqui um novo caminho teve que ser desbravado: novas aprendizagens precisaram ser acessadas e novos materias tiveram que ser explorados:

– Pilhas comuns e baterias tipo pastilha: como funcionam? Quantas pilhas são necessárias para que se acenda um LED? Qual a voltagem gerada por elas? O que é polaridade e como ela funciona? Como fixá-las na estrutura interna do robô?

– LEDs: como funcionam e por que suas extremidades têm cumprimentos diferentes? Como isolá-los corretamente? Iremos liga-los num circuito em série ou num circuito em paralelo?

– Interruptores: como funcionam? Quais são seus tipos? De que maneira devemos ligá-los no circuito?

Diante desta novidade os alunos se lançaram numa exploração livre com direcionamentos pontuais de minha parte. Privilegie o caráter imersivo, interativo, lúdico e autoral da experiência prática: é fazendo, pondo a mão na massa, que os alunos descobriram que as pilhas e LEDs possuíam polaridade negativa e positiva. Que o interruptor deve ser inserido no circuito entre a pilha e o LED para que funcione corretamente. Que, se não isolados corretamente, os fios causavam curtos-circuitos e não acenderiam os LEDs. Essas e outras questões foram resolvidas através do teste in loco pelos alunos e alunas em sala, gerando uma ampla gama de novos conhecimentos.

Terceiro desafio:Codificando a Trilha

       Com o robô finalizado, as crianças foram apresentadas à trilha construída por mim na quadra de esportes. Feita com fita crepe, ela era formada por cerca de 30 pequenos quadrados (40×40 cm) que seguiam ora em linha reta, ora viravam à esquerda ou à direita, etc. Foram dispostos também obstáculos (carteiras,mesas, objetos) para tornar mais complexo os códigos a serem elaborados. Foi dado também às crianças, um número limitado de comandos com símbolos e setas direcionais desenhados em suas faces. Cada grupo deveria preencher com um ou mais comandos os pequenos quadrados vazios e executar o programa através do aluno-robô. Venceria o grupo que primeiro executasse corretamente a linha de códigos que levasse o aluno-robô até o final do trajeto.

Foto: Paulo Ferrari

 Aqui, pensamento e ação, prática e teoria se mesclaram: o corpo e as ideias se encontraram para buscar a resolução do desafio através do aprender-fazendo; o método de aprendizagem baseada na aprovação de uma autoridade previamente estabelecida caiu por terra, não havendo uma única solução pronta e acabada a ser ensinada pelo professor, vários podem ser os caminhos construídos e a resolução do problema toma a forma de uma aventura: pensamento abstrato, sequencia lógica, organização espacial e movimento corporal reuniram-se e trabalharam juntos para a solução do problema. Espaço de construção colaborativa do conhecimento, as crianças discutiram e debateram numa tempestade de ideias acerca do melhor caminho a ser construído. Durante a execução do desfio, o grupo dos meninos, por sorteio, iniciou a escrita do código, porém, erraram um dos comandos e o grupo das meninas, em seguida, escreveu corretamente o código e venceram o desafio.

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